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sábado, agosto 28, 2010

Economia de energia e alta qualidade: os LEDs podem representar o futuro da iluminação

O uso de lâmpadas fluorescentes vem sendo incentivado no Brasil como forma de economizar energia, emitir menos CO2 e gastar pouco com as contas no final do mês. Mas será mesmo que esta é a melhor escolha?

Em parte essas afirmações são verdadeiras, se compararmos as lâmpadas fluorescentes com as incandescentes. Porém, já há alguns anos uma nova tecnologia vem abrindo mercado e se mostrando muito mais eficiente – ecologica e economicamente. Os LEDs (Light Emiting Diode) oferecem economia energética, mais tempo na vida útil das lâmpadas, alta qualidade luminosa, baixa emissão de CO2 e a ausência de substâncias poluentes.

Formados por diodos de materiais semicondutores, esse tipo de lâmpada emite luz ao ser atravessada por uma corrente elétrica e podem produzir luz de diversas cores – branca, vermelha, laranja, ciano e azul – que misturadas permitem criar uma infinidade de possibilidades dependendo do tipo de semicondutor usado. Segundo Michele di Cesare, proprietário do estúdio de consultoria em iluminação Prolight, de Roma, existem hoje mais de 2 mil tipos de LEDs, que podem ser utilizados para as mais variadas funções. Ele defende que os LEDs podem sanar de forma eficiente qualquer tipo de demanda em iluminação e que, além disso, é uma tecnologia em contínua evolução.

Atualmente, o principal problema para a inserção das lâmpadas LED no mercado brasileiro é seu custo. O preço das LEDs é ainda muito mais elevado se comparado às incandescentes e às fluorescentes. Mesmo que este investimento inicial seja amplamente superado ao longo do tempo devido à economia de energia e à longa duração das lâmpadas, o consumidor ainda resiste em gastar mais, ainda que por um produto melhor.

Quando se fala em lâmpada ecologicamente correta deve-se levar em conta, além do baixo consumo, o seu descarte na natureza. É verdade que as lâmpadas fluorescentes consomem muito menos que as incandescentes, porém as fluorescentes contém mercúrio, substância tóxica que provoca sérios danos à saúde humana, dos animais e do meio ambiente. O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) classifica esse tipo de lâmpada como “Resíduo Perigoso” pois, quando quebrada, libera vapor de mercúrio.

A destinação mais apropriada para esse tipo de lâmpada é a reciclagem, mas que, no entanto, é um processo custoso. O preço cobrado pela reciclagem de cada lâmpada fluorescente pode variar de R$ 0,50 a R$ 0,70, segundo dados recolhidos em 2008 pela Procuradoria Geral da República em proposta para implementação de descarte das lâmpadas com vapor de mercúrio da sede da PGR. No Brasil, hoje, estima-se que 94% das fluorescentes sejam descartadas em aterros sanitários sem nenhum tipo de tratamento. Os LEDs podem ser uma alternativa de substituição das lâmpadas incandescentes com maior economia de energia e sem o problema de descarte, já que não possuem materiais tóxicos em sua composição.

Alguns críticos dos LEDs diziam que a quantidade de energia utilizada para fabricar os LEDs anularia sua vantagem ecológica. Porém, o estudo "Avaliação do Ciclo de Vida de Iluminação", publicado ano passado pela fabricante alemã de lâmpadas Osram (que produz os três tipos de lâmpadas), mostrou que a energia consumida durante a produção de uma lâmpada, seja ela LED, incandescente ou fluorescente corresponde a aproximadamente 2% da demanda total de energia de seu ciclo de vida. As lâmpadas LED provocam menor impacto ambiental do que lâmpadas incandescentes e fluorescentes mesmo quando a energia utilizada durante o processo de fabricação é levada em conta na equação. A avaliação incluiu todos os componentes e processos de produção das lâmpadas durante cinco fases: produção de matéria-prima, fabricação e montagem, transporte, utilização e fim da vida.

Por se tratar de uma nova tecnologia, ainda existem dúvidas no uso de LEDs em algumas áreas, como por exempo na iluminação pública, porém já se registram casos de emprego de LED com grandes vantagens. Os LED são ideais para ambientação e destaque de detalhes, pois permitem a iluminação decorativa de casa e jardim praticamente eliminando custos de energia e manutenção. Por emitir luz direcionada, oferecem excelentes resultados nos casos em que a área deve ser iluminada por lâmpadas do tipo spot. Hoje, as lâmpadas LED já possuem alto nível de eficiência e essa qualidade tende a aumentar ainda mais, ampliando seus usos e diminuíndo custos.

sábado, julho 10, 2010

Energia limpa e barata no interior do Rio Grande do Sul

História da Creluz, Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Médio Uruguai, que recebeu em Londres o prestigiado Prêmio Ashden para Energia Renovável. Matéria da BBC.

domingo, junho 27, 2010

Carne Legal

O Brasil é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa mundial devido à destruição de suas florestas. Uma das causas do desmatamento é expansão irregular da agricultura e da pecuária. Segundo o superintendente de Conservação de Programas Temáticos da WWF Brasil, Carlos Alberto Scaramuzza, em entrevista à revista IHU On-Line, "se tirássemos as emissões oriundas da expansão agrícola, nós seriamos o 18º emissor".

Para tentar conscientizar os brasileiros sobre as ilegalidades presentes na cadeia da pecuária, e também sobre a necessidade de os consumidores cobrarem informações a respeito da origem da carne que compram, o Ministério Público Federal vem divulgando a campanha Carne Legal.




domingo, junho 13, 2010

Sociedade do Automóvel

Apresentação do documentário Sociedade do Automóvel (no blog Apocalipse Motorizado é possível fazer o download do vídeo completo):

11 milhões de pessoas, quase 6 milhões de automóveis; um acidente a cada 3 minutos; uma pessoa morta a cada 6 horas; 8 vítimas fatais da poluição por dia. No lugar da praça, o shopping center; no lugar da calçada, a avenida; no lugar do parque, o estacionamento; em vez de vozes, motores e buzinas.

Trabalhar para dirigir, dirigir para trabalhar: compre um carro, liberte-se do transporte público ruim. Aquilo que é público é de ninguém, ou daqueles que não podem pagar. Vidros escuros e fechados evitam o contato humano. Tédio, raiva angústia e solidão na cidade que não pode parar, mas não consegue sair do lugar.

Ano: 2005
Duração: 39′
Branca Nunes e Thiago Benicchio


segunda-feira, junho 07, 2010

Biodiversidade à mesa

As Nações Unidas declararam 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade. O Brasil é o país que possui o maior número de espécies do mundo em seu território, abriga hoje de 10 a 20% de todos os registros científicos. A flora brasileira constitui 20% do que é atualmente conhecido. Quatro dos biomas mais ricos do planeta estão no Brasil: Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Pantanal.

Mas com toda essa riqueza, grande parte da população brasileira não conhece seu habitat. Em Porto Alegre, a nutricionista Irany Arteche elaborou o projeto PANCs, para assentados do MST/RS, uma série de oficinas ministradas pelo botânico Valdely Kynupp sobre plantas com grande potencial alimentício e de comercialização, mas que costumam ser negligenciadas. O projeto é promovido pela Superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segue abaixo o vídeo (dividido em quatro partes) de divulgação do projeto. O material, elaborado pelo Coletivo Catarse, servirá como apoio pedagógico para cursos que tratem de alternativas para agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, diversificação agrícola, processamento de novos produtos e alimentos. Porque conhecer também é preservar.








domingo, maio 23, 2010

Agrotóxico é problema de saúde pública

Por Igor Felippe Santos, da Página do MST

O Brasil bateu recorde no consumo de agrotóxicos no ano passado. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. O país ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores desses produtos químicos.

Com a aplicação exagerada nas lavouras no Brasil, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública.

“Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas”, afirma o médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati, em entrevista exclusiva à Página do MST.

O pesquisador da Fiocruz, doutor em saúde e ambiente fez estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, que demonstram que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.

Por exemplo, intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia, distúrbios endócrinos, neurológicos, cardíacos, pulmonares e respiratórias, além de doenças subcrônicas, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão.

Abaixo, leia a entrevista com o professor Wanderlei Antonio Pignati.

Em 2009, o Brasil utilizou mais de 1 bilhão de litros de agrotóxicos. Por que a cada safra cresce a quantidade de venenos jogados nas lavouras?

O consumo de agrotóxicos dobrou nos últimos 10 anos. Passamos a ser o maior consumidor mundial de agrotóxicos. No Mato Grosso, 105 milhões de litros de agrotóxicos foram usados na safra agrícola passada, com uma média de 10 litros por hectare de soja ou milho e 20 litros por hectare de algodão. Tem vários municípios que usaram até 7 milhões de litros em uma safra. Isso traz um impacto muito grande para a saúde e para o ambiente. A utilização tem aumentado porque a semente está dominada por seis ou sete indústrias no mundo todo, inclusive no Brasil. Essas sementes são selecionadas para que se utilize agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso para aumentar a produtividade e os lucros dessas empresas do agronegócio. Paralelamente, vem aumentando também o desmatamento, com a plantação de novas áreas, aumentando a demanda por agrotóxicos e fertilizantes químicos. No Mato Grosso, passou de 4 milhões para 10 milhões de hectares plantados na última safra. O desmatamento é a primeira etapa do agronegócio. Depois entra a indústria da madeira, a pecuária, a agricultura, o transporte e o armazenamento. Por fim, a verdadeira agroindústria, com a produção de óleos, de farelo e a usina de açúcar, álcool, curtumes, beneficiamento de algodão e os agrocombustíveis, que fazem parte do agronegócio. Isso vem se desenvolvendo muito, pela nossa dependência da exportação. Isso tudo fez com que aumentasse o consumo de agrotóxicos no Brasil.

Quanto mais avança o agronegócio, maior o consumo de agrotóxicos?

Sim. As sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem sementes livres desses produtos. Não criam sementes resistentes a várias pragas, sem a necessidade de agrotóxicos. Não fazem isso, porque são produtores de sementes e agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos. Com os transgênicos, a situação piora mais ainda. No caso da soja, a produção é resistente a um herbicida, o glifosato, conhecido como roundup, patenteado pela Monsanto. Aí o uso é duas ou três vezes maior de roundup na soja. Isso também aumenta o consumo de agrotóxicos.

Mas a CTNBio liberou diversas variedades de transgênicos, com o argumento de que se diminuiria a necessidade de agrotóxicos...

É só pegar o exemplo da soja transgênica, que não é resistente a praga nenhuma, para perceber como é mentira. Temos que desmascarar a nível nacional e internacional. A soja transgênica não é resistente a pragas, mas a um herbicida, o glifosato. Então, é ainda maior a utilização de agrotóxicos. Eles usam antes de plantar, depois usam de novo no primeiro, no segundo e no terceiro mês. Dessa forma, aumenta em três vezes o uso do herbicida na soja transgênica. Agora vem o milho transgênico, que também é resistente ao glifosato. Com isso, vai aumentar ainda mais o consumo de agrotóxicos. Em geral, os transgênicos resistentes a pragas ainda são minoria.

Quais os efeitos dos agrotóxicos para a saúde e para o ambiente?

Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas. Ficam resíduos dos agrotóxicos nos poços artesianos de água potável, nos córregos, nos rios, na água de chuva e no ar. Isso faz com que a população absorva esses agrotóxicos.

Quais as consequências?

São agravos na saúde agudos e crônicos. Intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia (que causa câncer), distúrbios endócrinos (na tiroide, suprarrenal e alguns mimetizam diabetes), distúrbios neurológicos, distúrbios respiratórias (vários são irritantes pulmonares). Nos lagos e lagoas, acontece a extinção de várias espécies de animais, como peixes, anfíbios e répteis, por conta das modificações do ambiente por essas substâncias químicas. Os agrotóxicos são levados pela chuva para os córregos e rios. Os sedimento ficam no fundo e servem de alimentos para peixes, répteis, anfíbios, causando impactos em toda a biota em cima da terra.

Como vocês comprovaram esses casos?

Para fazer a comprovação desses casos, é preciso comparar dados epidemiológicos de doenças de regiões que usam muito agrotóxico com outras que usam pouco. Por exemplo, nas três regiões do Mato Grosso onde mais se produz soja, milho e algodão há uma incidência três vezes maior de intoxicação aguda por agrotóxicos, comparando com outras 12 regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Analisando por regiões o sistema de notificação de intoxicação aguda da secretaria municipal, estadual e do Ministério da Saúde, percebemos que onde a produção é maior, há mais casos de intoxicação aguda, como diarréia, vômitos, desmaios, mortes, distúrbios cardíacos e pulmonares, além de doenças subcrônicas que aparecem um mês ou dois meses depois da exposição, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão. Há agrotóxicos que causam irritação ocular e auditiva. Outros dão lesão neurológica, com hemiplegia, neurite da coluna neurológica cervical. Além disso, essas regiões que produzem mais soja, milho e algodão apresentam incidência duas vezes maior de câncer em crianças e adultos e malformação em recém nascidos do que nas outras regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Isso porque estão usando vários agrotóxicos que são cancerígenos e teratogênicos.

Qual o perigo para os consumidores de alimentos? Quais as iniciativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)?

A Anvisa está fazendo a revisão de 16 agrotóxicos, desde que lançou um edital em 2008. Quatorze deles são proibidos na União Europeia, nos Estados Unidos e Canadá por serem cancerígenos, teratogênicos, causam distúrbios neurológicos e endócrinos. Nessa revisão, já tem um resumo desses agrotóxicos, que são proibidos lá fora. Mas aqui são vendidos livremente, mesmo se sabendo desses efeitos crônicos. A Anvisa tem o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em alimentos, no qual faz a análise de 20 alimentos desde 2002. Nesses estudos, acharam resíduos nos alimentos, tanto de agrotóxicos não proibidos como acima do limite máximo permito. O endosulfan, por exemplo, é um inseticida clorado, que é cancerígeno e teratogênico, proibido há 20 anos na União Europeia, nos EUA e no Canadá. Não é proibido no Brasil, sendo muito usado na soja e milho. Esse limite máximo de resíduos é questionável, porque a sensibilidade é individual. Para uma pessoa, o limite máximo para desenvolver uma doença é 10 mg por dia e para outra basta 1 mg. Sem contar a contaminação na água, no ar, na chuva, porque devemos juntar todos esses fatores.

Como você avalia a legislação brasileira para os agrotóxicos e o trabalho da Anvisa?

A Anvisa vem fazendo um bom trabalho, com base na legislação. No entanto, todo dia os grandes burlam a lei. Não só a lei nacional sobre agrotóxicos, mas também o Código Florestal, as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (que obrigada a dar os equipamentos aos trabalhadores), as normas do Ministério da Agricultura (que impede a pulverização a menos de 250 metros da nascente de rios, córregos, lagoas e onde moram animais ou habitam pessoas). No Mato Grosso, passam todos os tipos de agrotóxicos de avião, não respeitando as normas.

Os fazendeiros dizem que, se usar corretamente os agrotóxicos, não há perigo.

Tem problema sim. Se o trabalhador ficar como um astronauta, usando todos os equipamentos de proteção individual necessário, pode não prejudicar a sua própria saúde, mas e o ambiente? Todo agrotóxicos é toxico, tanto da classe um como da classe quatro. Aonde vai o resíduo desse agrotóxico? Vai para a chuva, para os rios, para os córregos, para o ar e evapora e desce com a chuva. Não existe uso seguro e correto dos agrotóxicos para o ambiente. Temos que discutir que o uso de agrotóxicos é intencional. As ditas pragas da lavoura – que eu não chamo de pragas – seja um inseto, uma erva daninha ou um fungo, crescem no meio da plantação. Aí o fazendeiro polui o ambiente intencionalmente para tentar atingir essas pragas. Não tem como ele retirar especificamente as pragas, colocar em uma redoma e aplicar o agrotóxico. Ou seja, ele polui de maneira intencional o ambiente da plantação, o ambiente geral, o trabalhador e a produção. Uma parte dessa agrotóxicos fica nos alimentos.

As indústrias do agronegócio argumentam que é necessário o uso de grandes quantidades de agrotóxicos porque o Brasil é um país tropical, com grande diversidade climática. É verdade?

Não tem uma necessidade maior. Não é que o Brasil precise de mais por conta dessa questão climática. Nas monografias dos agrotóxicos, tem uma temperatura ideal para passar, em torno de 20º e 25º. Onde tem essa temperatura no Mato Grosso, por exemplo? Dá mais de 30 graus. Com isso, essas substâncias evaporam e usam ainda mais. Em vez de usar dois litros, colocam 2,5 litros por hectare. É um argumento falso. Tem que colocar agrotóxico porque a semente é dependente. Existem formas de fazer uma produção em grande escala sem a semente dependente de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Há vários exemplos no mundo e no Brasil. Mas 99% de toda a nossa produção agrícola depende das sementes da indústrias, que não faz a seleção para não precisar de químicos.

Dentro desse quadro, qual é a tendência?

A tendência é aumentar a utilização de agrotóxicos. Por isso, é preciso uma política mais contundente do governo, dos movimentos de agroecologia e dos consumidores, que cada vez mais consomem agrotóxicos. É preciso discutir o modelo de produção agrícola que está ai. Com o milho transgênico, vai se utilizar mais glifosato. Há um clico de aumento dos agrotóxicos que não vai ter fim. Se analisar a resistência das pragas, há ervas daninhas resistentes ao glifosato. No primeiro momento, se aumenta a dose para vencer a praga. Em vez de cinco litros por hectare, usam sete litros. Num segundo momento se usa um herbicida ainda mais forte ou mais tóxico para combater a erva daninha resistente ao agrotóxico mais fraco. Isso não tem fim. Há grandes áreas de ervas daninhas resistentes nos Estados Unidos, na Argentina e está chegando no Brasil, no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Mato Grosso. É um modelo insustentável.

quarta-feira, maio 19, 2010

For Ever Gaia

São disponíveis no You Tube trechos do documentário "Lutzenberger: For Ever Gaia" (2007), de Frank Coe e Otto Guerra. Formado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lutzenberger foi um do mais importantes ambientalistas brasileiros. Trabalhou por muito tempo para empresas que produzem adubos químicos. Abondonou a carreira em 1971 - depois de 13 anos trabalhando como executivo da Basf - para denunciar o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras do Rio Grande do Sul. A partir de então se dedicou ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável na agricultura e ao uso dos recursos renováveis. Morreu em 2002, aos 75 anos.

Segue a primeira parte do documentário:

sábado, maio 08, 2010

A “opção” nuclear

Valendo-se da preocupação com o aquecimento global e com a segurança energética, mais uma vez a “opção nuclear” volta a ser assunto. E agora tem o apoio de James Lovelock, o pai da Teoria Gaia, que entende o universo como um organismo vivo e que já foi ferrenho adversário dessa forma de produção de energia. Em seu novo livro, Gaia: Alerta Final (editora Intrínseca, 2010) ele defende que não há tempo para esperar outro formato eficaz para reduzir as emissões de poluentes.

Brasil e Itália anunciaram ano passado a ampliação de seus parques nucleares. Em nome da “segurança energética”, apostam em um tipo de tecnologia controversa, que ainda comporta inúmeras incertezas. O governo brasileiro pretende aumentar a capacidade nuclear com a instalação de Angra 3 até 2012 e com a construção de quatro novas usinas até 2030, conforme propõe o Plano Nacional de Energia 2030, apresentado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O nuclear pode ser a solução para o aquecimento global: esse foi o mote para reativar a indústria do setor, que vinha há anos perdendo credibilidade. Conforme o Relatório para o Desenvolvimento Humano 2007-2008, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a energia nuclear é responsável hoje por 17% da eletricidade produzida no mundo. Na Europa, a quota nuclear de potência elétrica instalada caiu de 24% em 1995 para 16% em 2008, segundo afirmou à WWF o professor de Química da Universidade de Bolonha Vincenzo Balzani. Sobre a possibilidade de se reduzir a emissão de CO2 ao optar pelo nuclear, Balzani pondera: “não é racional resolver um problema com uma solução que abre outros e mais graves problemas”.

Para Lovelock, os riscos são pequenos. De acordo com ele, no pior desastre provocado pela radiação nuclear, Chernobyl, morreram 70 pessoas. Ou o pai da Teoria Gaia está querendo nos enganar ou está se enganando. O número de mortos no momento do acidente ou pouco tempo depois foi 70 (há fontes que falam em 58), mas quantos são os que ainda estão morrendo por causa da irradiação? Quais são as reais consequências de um desastre como esse para a saúde humana? Um estudo do Fórum de Chernobyl – formado por agências da ONU e entre elas a Agência Internacional de Energia Nuclear (Aiea) – estima em 4 mil as vítimas de cânceres provocados pela radiação. Além disso, mais de 135 mil pessoas tiveram que ser evacuadas, deixando tudo para trás, e até hoje não puderam voltar para suas casas.

Obviamente a usina de Chernobyl não pode ser tomada como referência quando se fala de segurança. Porém, apesar dos renovados esforços da indústria nuclear em apresentar sua tecnologia como segura, pequenos acidentes em instalações nucleares em diversos países continuam a demonstrar que esta tecnologia oferece constantes riscos que podem trazer conseqüências ao meio ambiente e à humanidade, por centenas e milhares de anos. Sem falar que o armazenamento do lixo radioativo gerado pelas usinas ainda é um problema sem solução.

O jornalista suíço Serge Enderlin, em seu livro reportagem Black Out (editado na Itália pela Il Saggiatore), publicou alguns dados sobre a maior instalação nuclear em construção na Europa: a terceira central de Olkiluoto, na Finlândia. A usina está sendo realizada pela francesa Areva, líder mundial do nuclear civil, e custaria oficialmente 3 bilhões de euros – valor que já foi dobrado e que está novamente sendo revisto devido a inúmeros contratempos na obra. Segundo a TVO (a companhia energética finladesa), seus 1600 megawatts servirão apenas para suprir o aumento da demanda dos próximos dez anos.

Na prática, a primeira central nuclear a ser construída no mundo depois do acidente em Chernobyl enfrenta problemas. A conclusão da obra, prevista para 2009, deverá ocorrer em 2013. Muitos mal funcionamentos vem sendo denunciados por diversas ongs, entre elas o Greenpeace, que acusa a Areva de não respeitar mínimas condições de segurança. Enderlin reproduz em seu livro conversas com operários que trabalham na construção, em sua maioria poloneses e lituanos, “que custam menos”, e que estão muito contentes de ganharem seus mil euros mensais, mas que admitem não ter tido nenhum tipo de treinamento especial para trabalhar em uma obra do gênero.

De acordo com a TVO, o cimento que reveste o reator já teve que ser trocado três vezes devido à sua baixa qualidade. As relações entre a companhia energética finlandesa e a Areva agora estão na justiça, já que alguém deverá pagar pelas falhas que custam milhões de euros. Enderlin passou meses tentando contatar a Areva, em vão.

O urânio não é infinito e, segundo diferentes fontes, com o nível de extração atual, o mineral pode durar de 50 a 100 anos. Se levarmos em conta que hoje, no mundo, existem mais de 200 centrais em construção, programadas e propostas, quanto do minério ainda restará? Algumas centrais terão vida mais longa do que a matéria-prima que as fazem funcionar ou que as empresas que as controlam. E o que será feito depois dessas usinas? Quem ficará responsável pelas perigosas e já não rentáveis geringonças?

As companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares nos EUA não estão reservando dinheiro suficiente para desmantelá-los, segundo investigação da Associated Press. O governo americano autorizou 19 usinas nucleares a paralisar seus reatores por até 60 anos, mas isso também cria riscos, como possíveis vazamentos ou roubos de bastões de combustível nuclear.

Alguns analistas temem que as empresas talvez nem existam daqui a seis décadas. “Tememos que elas simplesmente ‘tirem o corpo fora’ do problema”, disse Jim Riccio, analista do Greenpeace para política nuclear. E se elas não existirem mais, quem vai responder pelo desmantelamento dos reatores? Mais uma vez os governos?

“De todas as fontes de energia existentes, a nuclear é a única que coloca em jogo a sorte das futuras gerações por muitos e muitos anos”, diz Enderlin, lembrando que hoje, 57 anos depois que a central experimental de Arco, no estado americano de Idaho, entrou em funcionamento, ainda não se tem uma solução para a estocagem das escórias.

Texto originalmente publicado em Herodotos Report.

segunda-feira, abril 19, 2010

Grupo de trabalho estuda as smart grids

O ministério brasileiro de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para identificar as ações necessárias para apoiar políticas públicas para a implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente, conhecida como smart grid. Segundo o Diário Oficial da União de 16 de abril, o grupo será composto por representantes do ministério, da Empresa de Pesquisa Energética, do Centro de Pesquisas em Energia Elétrica, da Agência Nacional de Energia Elétrica e do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Órgãos e entidadesque possam oferecer contribuições poderão ser convidados a participar.

As atividades do grupo deverão ser concluídas em 180 dias. A entrega do relatório técnico está prevista para 30 dias após o final deste prazo.

A pesquisa de smart grids vem recebendo investimentos pelo seu potencial de melhorar o gerenciamento de energia, permitir um monitoramento que identifique e elimine perdas e integre novas fontes de geração, incluindo as renováveis e as distribuídas.

segunda-feira, abril 12, 2010

Consciência ambiental

Os brasileiros são o povo mais preocupado com o aquecimento global no mundo, segundo pesquisa da Pew Global Attitudes Survey realizada em 47 países. Conforme o estudo publicado em 2008, no Brasil 88% das pessoas reconhecem o problema como "muito sério". A proporção de brasileiros que identificam a degradação ambiental como primeiro ou segundo maior perigo na atualidade subiu de 20% em 2002 para 49% em 2007, maior aumento dentre os países pesquisados. As áreas mais importantes para investimento científico e tecnológico, de acordo com os entrevistados, são medicina, tecnologias da agricultura e energia solar.

Os resultados desse estudo — e também de outras observações referentes a questões ambientais, de tecnologia e de inovação — sobre a mentalidade do brasileiro foram divulgados pelo Atlas das Idéias, publicação da Demos (instituição inglesa sem fins lucrativos, voltada à pesquisa e ao debate para a promoção da democracia), em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (organização social brasileira apoiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia).

A autora do estudo, Kirsten Bound, pesquisadora sênior da Demos até 2008, destaca que tomadores de decisão, economistas e empresários reconhecem cada vez mais que a proteção ambiental tem valor econômico. "No caso do Brasil, isso não se refere apenas ao valor das florestas, dos recursos hídricos e da biodiversidade, mas também à segurança, no longo prazo, de uma matriz energética baseada em 45% de energia renovável e no mais importante programa de biocombustíveis do mundo."

Acesse o Atlas das Idéias em inglês ou português:
- Brazil, the natural knowledge economy
- Brasil, a economia natural do conhecimento
 
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