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segunda-feira, junho 07, 2010

Biodiversidade à mesa

As Nações Unidas declararam 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade. O Brasil é o país que possui o maior número de espécies do mundo em seu território, abriga hoje de 10 a 20% de todos os registros científicos. A flora brasileira constitui 20% do que é atualmente conhecido. Quatro dos biomas mais ricos do planeta estão no Brasil: Mata Atlântica, Cerrado, Amazônia e Pantanal.

Mas com toda essa riqueza, grande parte da população brasileira não conhece seu habitat. Em Porto Alegre, a nutricionista Irany Arteche elaborou o projeto PANCs, para assentados do MST/RS, uma série de oficinas ministradas pelo botânico Valdely Kynupp sobre plantas com grande potencial alimentício e de comercialização, mas que costumam ser negligenciadas. O projeto é promovido pela Superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segue abaixo o vídeo (dividido em quatro partes) de divulgação do projeto. O material, elaborado pelo Coletivo Catarse, servirá como apoio pedagógico para cursos que tratem de alternativas para agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional, diversificação agrícola, processamento de novos produtos e alimentos. Porque conhecer também é preservar.








domingo, maio 23, 2010

Agrotóxico é problema de saúde pública

Por Igor Felippe Santos, da Página do MST

O Brasil bateu recorde no consumo de agrotóxicos no ano passado. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola. O país ocupa o primeiro lugar na lista de países consumidores desses produtos químicos.

Com a aplicação exagerada nas lavouras no Brasil, o uso de agrotóxicos está deixando de ser uma questão relacionada especificamente à produção agrícola e se transforma em um problema de saúde pública.

“Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas”, afirma o médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Antonio Pignati, em entrevista exclusiva à Página do MST.

O pesquisador da Fiocruz, doutor em saúde e ambiente fez estudos sobre os impactos dos agrotóxicos no Mato Grosso, que demonstram que nas regiões com maior utilização de agrotóxicos é maior a incidência de problemas de saúde agudos e crônicos.

Por exemplo, intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia, distúrbios endócrinos, neurológicos, cardíacos, pulmonares e respiratórias, além de doenças subcrônicas, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão.

Abaixo, leia a entrevista com o professor Wanderlei Antonio Pignati.

Em 2009, o Brasil utilizou mais de 1 bilhão de litros de agrotóxicos. Por que a cada safra cresce a quantidade de venenos jogados nas lavouras?

O consumo de agrotóxicos dobrou nos últimos 10 anos. Passamos a ser o maior consumidor mundial de agrotóxicos. No Mato Grosso, 105 milhões de litros de agrotóxicos foram usados na safra agrícola passada, com uma média de 10 litros por hectare de soja ou milho e 20 litros por hectare de algodão. Tem vários municípios que usaram até 7 milhões de litros em uma safra. Isso traz um impacto muito grande para a saúde e para o ambiente. A utilização tem aumentado porque a semente está dominada por seis ou sete indústrias no mundo todo, inclusive no Brasil. Essas sementes são selecionadas para que se utilize agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso para aumentar a produtividade e os lucros dessas empresas do agronegócio. Paralelamente, vem aumentando também o desmatamento, com a plantação de novas áreas, aumentando a demanda por agrotóxicos e fertilizantes químicos. No Mato Grosso, passou de 4 milhões para 10 milhões de hectares plantados na última safra. O desmatamento é a primeira etapa do agronegócio. Depois entra a indústria da madeira, a pecuária, a agricultura, o transporte e o armazenamento. Por fim, a verdadeira agroindústria, com a produção de óleos, de farelo e a usina de açúcar, álcool, curtumes, beneficiamento de algodão e os agrocombustíveis, que fazem parte do agronegócio. Isso vem se desenvolvendo muito, pela nossa dependência da exportação. Isso tudo fez com que aumentasse o consumo de agrotóxicos no Brasil.

Quanto mais avança o agronegócio, maior o consumo de agrotóxicos?

Sim. As sementes das grandes indústrias são dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos. As indústrias não fazem sementes livres desses produtos. Não criam sementes resistentes a várias pragas, sem a necessidade de agrotóxicos. Não fazem isso, porque são produtores de sementes e agrotóxicos. Criam sementes dependentes de agrotóxicos. Com os transgênicos, a situação piora mais ainda. No caso da soja, a produção é resistente a um herbicida, o glifosato, conhecido como roundup, patenteado pela Monsanto. Aí o uso é duas ou três vezes maior de roundup na soja. Isso também aumenta o consumo de agrotóxicos.

Mas a CTNBio liberou diversas variedades de transgênicos, com o argumento de que se diminuiria a necessidade de agrotóxicos...

É só pegar o exemplo da soja transgênica, que não é resistente a praga nenhuma, para perceber como é mentira. Temos que desmascarar a nível nacional e internacional. A soja transgênica não é resistente a pragas, mas a um herbicida, o glifosato. Então, é ainda maior a utilização de agrotóxicos. Eles usam antes de plantar, depois usam de novo no primeiro, no segundo e no terceiro mês. Dessa forma, aumenta em três vezes o uso do herbicida na soja transgênica. Agora vem o milho transgênico, que também é resistente ao glifosato. Com isso, vai aumentar ainda mais o consumo de agrotóxicos. Em geral, os transgênicos resistentes a pragas ainda são minoria.

Quais os efeitos dos agrotóxicos para a saúde e para o ambiente?

Os impactos negativos são no trabalhador, que aplica diretamente, na sua família, que mora dentro das plantações de soja, na periferia da cidade, porque a pulverização é quase em cima das casas. Tem também o impacto no ambiente, com a contaminação por agrotóxicos das águas. Ficam resíduos dos agrotóxicos nos poços artesianos de água potável, nos córregos, nos rios, na água de chuva e no ar. Isso faz com que a população absorva esses agrotóxicos.

Quais as consequências?

São agravos na saúde agudos e crônicos. Intoxicações agudas e crônicas, má formação fetal de mulheres gestantes, neoplasia (que causa câncer), distúrbios endócrinos (na tiroide, suprarrenal e alguns mimetizam diabetes), distúrbios neurológicos, distúrbios respiratórias (vários são irritantes pulmonares). Nos lagos e lagoas, acontece a extinção de várias espécies de animais, como peixes, anfíbios e répteis, por conta das modificações do ambiente por essas substâncias químicas. Os agrotóxicos são levados pela chuva para os córregos e rios. Os sedimento ficam no fundo e servem de alimentos para peixes, répteis, anfíbios, causando impactos em toda a biota em cima da terra.

Como vocês comprovaram esses casos?

Para fazer a comprovação desses casos, é preciso comparar dados epidemiológicos de doenças de regiões que usam muito agrotóxico com outras que usam pouco. Por exemplo, nas três regiões do Mato Grosso onde mais se produz soja, milho e algodão há uma incidência três vezes maior de intoxicação aguda por agrotóxicos, comparando com outras 12 regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Analisando por regiões o sistema de notificação de intoxicação aguda da secretaria municipal, estadual e do Ministério da Saúde, percebemos que onde a produção é maior, há mais casos de intoxicação aguda, como diarréia, vômitos, desmaios, mortes, distúrbios cardíacos e pulmonares, além de doenças subcrônicas que aparecem um mês ou dois meses depois da exposição, de tipo neurológico e psiquiátricos, como depressão. Há agrotóxicos que causam irritação ocular e auditiva. Outros dão lesão neurológica, com hemiplegia, neurite da coluna neurológica cervical. Além disso, essas regiões que produzem mais soja, milho e algodão apresentam incidência duas vezes maior de câncer em crianças e adultos e malformação em recém nascidos do que nas outras regiões que produzem menos e usam menos agrotóxicos. Isso porque estão usando vários agrotóxicos que são cancerígenos e teratogênicos.

Qual o perigo para os consumidores de alimentos? Quais as iniciativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)?

A Anvisa está fazendo a revisão de 16 agrotóxicos, desde que lançou um edital em 2008. Quatorze deles são proibidos na União Europeia, nos Estados Unidos e Canadá por serem cancerígenos, teratogênicos, causam distúrbios neurológicos e endócrinos. Nessa revisão, já tem um resumo desses agrotóxicos, que são proibidos lá fora. Mas aqui são vendidos livremente, mesmo se sabendo desses efeitos crônicos. A Anvisa tem o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em alimentos, no qual faz a análise de 20 alimentos desde 2002. Nesses estudos, acharam resíduos nos alimentos, tanto de agrotóxicos não proibidos como acima do limite máximo permito. O endosulfan, por exemplo, é um inseticida clorado, que é cancerígeno e teratogênico, proibido há 20 anos na União Europeia, nos EUA e no Canadá. Não é proibido no Brasil, sendo muito usado na soja e milho. Esse limite máximo de resíduos é questionável, porque a sensibilidade é individual. Para uma pessoa, o limite máximo para desenvolver uma doença é 10 mg por dia e para outra basta 1 mg. Sem contar a contaminação na água, no ar, na chuva, porque devemos juntar todos esses fatores.

Como você avalia a legislação brasileira para os agrotóxicos e o trabalho da Anvisa?

A Anvisa vem fazendo um bom trabalho, com base na legislação. No entanto, todo dia os grandes burlam a lei. Não só a lei nacional sobre agrotóxicos, mas também o Código Florestal, as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego (que obrigada a dar os equipamentos aos trabalhadores), as normas do Ministério da Agricultura (que impede a pulverização a menos de 250 metros da nascente de rios, córregos, lagoas e onde moram animais ou habitam pessoas). No Mato Grosso, passam todos os tipos de agrotóxicos de avião, não respeitando as normas.

Os fazendeiros dizem que, se usar corretamente os agrotóxicos, não há perigo.

Tem problema sim. Se o trabalhador ficar como um astronauta, usando todos os equipamentos de proteção individual necessário, pode não prejudicar a sua própria saúde, mas e o ambiente? Todo agrotóxicos é toxico, tanto da classe um como da classe quatro. Aonde vai o resíduo desse agrotóxico? Vai para a chuva, para os rios, para os córregos, para o ar e evapora e desce com a chuva. Não existe uso seguro e correto dos agrotóxicos para o ambiente. Temos que discutir que o uso de agrotóxicos é intencional. As ditas pragas da lavoura – que eu não chamo de pragas – seja um inseto, uma erva daninha ou um fungo, crescem no meio da plantação. Aí o fazendeiro polui o ambiente intencionalmente para tentar atingir essas pragas. Não tem como ele retirar especificamente as pragas, colocar em uma redoma e aplicar o agrotóxico. Ou seja, ele polui de maneira intencional o ambiente da plantação, o ambiente geral, o trabalhador e a produção. Uma parte dessa agrotóxicos fica nos alimentos.

As indústrias do agronegócio argumentam que é necessário o uso de grandes quantidades de agrotóxicos porque o Brasil é um país tropical, com grande diversidade climática. É verdade?

Não tem uma necessidade maior. Não é que o Brasil precise de mais por conta dessa questão climática. Nas monografias dos agrotóxicos, tem uma temperatura ideal para passar, em torno de 20º e 25º. Onde tem essa temperatura no Mato Grosso, por exemplo? Dá mais de 30 graus. Com isso, essas substâncias evaporam e usam ainda mais. Em vez de usar dois litros, colocam 2,5 litros por hectare. É um argumento falso. Tem que colocar agrotóxico porque a semente é dependente. Existem formas de fazer uma produção em grande escala sem a semente dependente de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Há vários exemplos no mundo e no Brasil. Mas 99% de toda a nossa produção agrícola depende das sementes da indústrias, que não faz a seleção para não precisar de químicos.

Dentro desse quadro, qual é a tendência?

A tendência é aumentar a utilização de agrotóxicos. Por isso, é preciso uma política mais contundente do governo, dos movimentos de agroecologia e dos consumidores, que cada vez mais consomem agrotóxicos. É preciso discutir o modelo de produção agrícola que está ai. Com o milho transgênico, vai se utilizar mais glifosato. Há um clico de aumento dos agrotóxicos que não vai ter fim. Se analisar a resistência das pragas, há ervas daninhas resistentes ao glifosato. No primeiro momento, se aumenta a dose para vencer a praga. Em vez de cinco litros por hectare, usam sete litros. Num segundo momento se usa um herbicida ainda mais forte ou mais tóxico para combater a erva daninha resistente ao agrotóxico mais fraco. Isso não tem fim. Há grandes áreas de ervas daninhas resistentes nos Estados Unidos, na Argentina e está chegando no Brasil, no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Mato Grosso. É um modelo insustentável.

sábado, maio 08, 2010

A “opção” nuclear

Valendo-se da preocupação com o aquecimento global e com a segurança energética, mais uma vez a “opção nuclear” volta a ser assunto. E agora tem o apoio de James Lovelock, o pai da Teoria Gaia, que entende o universo como um organismo vivo e que já foi ferrenho adversário dessa forma de produção de energia. Em seu novo livro, Gaia: Alerta Final (editora Intrínseca, 2010) ele defende que não há tempo para esperar outro formato eficaz para reduzir as emissões de poluentes.

Brasil e Itália anunciaram ano passado a ampliação de seus parques nucleares. Em nome da “segurança energética”, apostam em um tipo de tecnologia controversa, que ainda comporta inúmeras incertezas. O governo brasileiro pretende aumentar a capacidade nuclear com a instalação de Angra 3 até 2012 e com a construção de quatro novas usinas até 2030, conforme propõe o Plano Nacional de Energia 2030, apresentado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O nuclear pode ser a solução para o aquecimento global: esse foi o mote para reativar a indústria do setor, que vinha há anos perdendo credibilidade. Conforme o Relatório para o Desenvolvimento Humano 2007-2008, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a energia nuclear é responsável hoje por 17% da eletricidade produzida no mundo. Na Europa, a quota nuclear de potência elétrica instalada caiu de 24% em 1995 para 16% em 2008, segundo afirmou à WWF o professor de Química da Universidade de Bolonha Vincenzo Balzani. Sobre a possibilidade de se reduzir a emissão de CO2 ao optar pelo nuclear, Balzani pondera: “não é racional resolver um problema com uma solução que abre outros e mais graves problemas”.

Para Lovelock, os riscos são pequenos. De acordo com ele, no pior desastre provocado pela radiação nuclear, Chernobyl, morreram 70 pessoas. Ou o pai da Teoria Gaia está querendo nos enganar ou está se enganando. O número de mortos no momento do acidente ou pouco tempo depois foi 70 (há fontes que falam em 58), mas quantos são os que ainda estão morrendo por causa da irradiação? Quais são as reais consequências de um desastre como esse para a saúde humana? Um estudo do Fórum de Chernobyl – formado por agências da ONU e entre elas a Agência Internacional de Energia Nuclear (Aiea) – estima em 4 mil as vítimas de cânceres provocados pela radiação. Além disso, mais de 135 mil pessoas tiveram que ser evacuadas, deixando tudo para trás, e até hoje não puderam voltar para suas casas.

Obviamente a usina de Chernobyl não pode ser tomada como referência quando se fala de segurança. Porém, apesar dos renovados esforços da indústria nuclear em apresentar sua tecnologia como segura, pequenos acidentes em instalações nucleares em diversos países continuam a demonstrar que esta tecnologia oferece constantes riscos que podem trazer conseqüências ao meio ambiente e à humanidade, por centenas e milhares de anos. Sem falar que o armazenamento do lixo radioativo gerado pelas usinas ainda é um problema sem solução.

O jornalista suíço Serge Enderlin, em seu livro reportagem Black Out (editado na Itália pela Il Saggiatore), publicou alguns dados sobre a maior instalação nuclear em construção na Europa: a terceira central de Olkiluoto, na Finlândia. A usina está sendo realizada pela francesa Areva, líder mundial do nuclear civil, e custaria oficialmente 3 bilhões de euros – valor que já foi dobrado e que está novamente sendo revisto devido a inúmeros contratempos na obra. Segundo a TVO (a companhia energética finladesa), seus 1600 megawatts servirão apenas para suprir o aumento da demanda dos próximos dez anos.

Na prática, a primeira central nuclear a ser construída no mundo depois do acidente em Chernobyl enfrenta problemas. A conclusão da obra, prevista para 2009, deverá ocorrer em 2013. Muitos mal funcionamentos vem sendo denunciados por diversas ongs, entre elas o Greenpeace, que acusa a Areva de não respeitar mínimas condições de segurança. Enderlin reproduz em seu livro conversas com operários que trabalham na construção, em sua maioria poloneses e lituanos, “que custam menos”, e que estão muito contentes de ganharem seus mil euros mensais, mas que admitem não ter tido nenhum tipo de treinamento especial para trabalhar em uma obra do gênero.

De acordo com a TVO, o cimento que reveste o reator já teve que ser trocado três vezes devido à sua baixa qualidade. As relações entre a companhia energética finlandesa e a Areva agora estão na justiça, já que alguém deverá pagar pelas falhas que custam milhões de euros. Enderlin passou meses tentando contatar a Areva, em vão.

O urânio não é infinito e, segundo diferentes fontes, com o nível de extração atual, o mineral pode durar de 50 a 100 anos. Se levarmos em conta que hoje, no mundo, existem mais de 200 centrais em construção, programadas e propostas, quanto do minério ainda restará? Algumas centrais terão vida mais longa do que a matéria-prima que as fazem funcionar ou que as empresas que as controlam. E o que será feito depois dessas usinas? Quem ficará responsável pelas perigosas e já não rentáveis geringonças?

As companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares nos EUA não estão reservando dinheiro suficiente para desmantelá-los, segundo investigação da Associated Press. O governo americano autorizou 19 usinas nucleares a paralisar seus reatores por até 60 anos, mas isso também cria riscos, como possíveis vazamentos ou roubos de bastões de combustível nuclear.

Alguns analistas temem que as empresas talvez nem existam daqui a seis décadas. “Tememos que elas simplesmente ‘tirem o corpo fora’ do problema”, disse Jim Riccio, analista do Greenpeace para política nuclear. E se elas não existirem mais, quem vai responder pelo desmantelamento dos reatores? Mais uma vez os governos?

“De todas as fontes de energia existentes, a nuclear é a única que coloca em jogo a sorte das futuras gerações por muitos e muitos anos”, diz Enderlin, lembrando que hoje, 57 anos depois que a central experimental de Arco, no estado americano de Idaho, entrou em funcionamento, ainda não se tem uma solução para a estocagem das escórias.

Texto originalmente publicado em Herodotos Report.
 
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